Ensaio sobre o amor

Ainda me pergunto como aconteceu. Que milagre torna um sentimento tão forte? Que feitiço faz aquelas palavrinhas mágicas escorregarem devagar pela curvatura dos meus lábios, num suave Amo-te? E as lágrimas que caem na perspectiva da distância, essa nostalgia que se acerca tão precoce, antecedendo uma mágoa que alguém decidiu chamar saudade.
Não sei as leis que regem o mundo, mas sei o teorema que condiciona os meus pensamentos nesta noite e em tantas passadas e tantas futuras. E ainda assim, segue uma lógica que nenhuma disciplina pode esquartejar até à célula mais pequena para compreender o que faz mover o quê. Não, esta lógica é tão ilógica mas tão certa e verdadeira, de resultados tão óbvios mas causas tão misteriosas. E o segredo é todo teu.
Talvez não queira saber, se tão forte é o desejo que prende as minhas mãos ao teu corpo, tão profunda é a necessidade de te sentir, as razões cavam fundo na minha alma, no meu coração, na minha mente, tão fundo que me perfuram e trespassam o meu mundo, dividindo-me entre a vontade urgente de unir a minha orbita à tua por cada segundo do meu ciclo de vida, e a certeza de que o universo o impossibilitará sempre, porque é essa a tarefa dele.
Não sei. Cada etapa desta história, como qualquer outra, começa por uma afirmação de cariz duvido. Como era uma vez. Porque não diz nada e não esclarece nada, começamos sempre afundados nesse mar de se's e porquês, medos e angústias, com dilemas que nos rasgam e não nos deixam dormir, para depois descobrirmos, passado o tempo lento da mudança nada diplomática que é feita sem autorização na nossa vida, que é tudo fácil e certo e talvez não haja felizes para sempre mas certamente há felizes por agora, e esse agora é longo e promissor. Sei-o quando está tudo certo na diferença e na igualdade.
Sei-o quando aquela palavra mágica se enrola na mente, e depois na língua, e tarda a vir, mas quando finalmente nos agracia com a sua sonoridade luminosa, ela vem revestida do poder imaculado da verdade pura e certa de um sincero AMO-TE.

(L)

Insanely in love.

And that's it.

Life is fucking perfect right now.

tu

Tu foste a minha caixinha surpresa. Se há seis meses pudesse ter sequer imaginado...
And that's how somebody life's change.

smile for me

Tira esse sorriso estúpido do rosto.
Porquê?
Pareces uma idiota!
E depois?
(suspiro)
Não importa...
Até se pode ter a cabeça nas nuvens, desde que se mantenha os pés no chão.
E o coração?
Esse é livre para viver as suas paixões.
Mas com juízo...
O juízo não mora no coração. E a cabeça anda nas nuvens.
Não está nos pés de certo.
Mas está, algures, não se sabe onde.
Manifesta-se muito pouco.
Mentira!
Seja...
Sorrir é saudável. Mesmo parecendo idiota. E sabe bem.
Não contradigo...
Venci.
Venceste.
(sorriso)

a vida faz sentido

Não faz sentido manter um diário sobre as nossas paixões. Não faz sentido escrevê-las, quase não faz sentido falar sobre elas. Mas precisamos, como se para cimentar essa fantasia, puxá-la para o universo do real e ancorá-la à terra que pisamos.
Honestamente, sinto-me estúpida e ridiculamente feliz e quero partilhar isso. As razões não importam muito para quem lê, só para quem sente, o motivo não interessa a quem se importa, só os resultados, e quem deve saber, sabe.
Parênteses à parte, pára de gastar palavras, Raquel.
É assim, a vida faz sentido. Apesar dos altos e baixos, das desilusões, das quedas, das cabeçadas nas paredes, das noites em branco e em negro, a vida faz sentido. E a felicidade é inesperada, é simples, é fácil.
E às vezes passeia-se debaixo dos nossos olhos sem que saibamos...

Certeza

Sinto-me bastante esclarecida agora.
Sei o que quero.
Sei quem quero.

be carful, be happy

Se fosse para apostar, eu não o teria feito. Demasiado improvável, demasiado "sonho". Não, demasiada fantasia. E no entanto, ali estávamos nós, numa noite inconsequente. E depois?
A vida acontece toda ao mesmo tempo.
Agora já não és só tu, eu e a minha imaginação. Agora somos realmente três.
E antes que possamos separar as águas, inundamo-nos.
Agora o problema é outro. Já não sei. Talvez nunca tenha sabido. Queria manter as coisas inconsequentes. Agora são moralmente consequentes.
Até que ponto são precisas palavras para formalizar um compromisso?
Acredito que dependa no número de noites que se passa com alguém...
E a minha consciência não tem dúvidas do que eu preciso de fazer para me achar uma cabra.

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Porque sou racional o suficiente para catalogar o que sinto, mas emocional o suficiente para ignorar as etiquetas

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Raquel Neves. Quando um dia virem à venda um livro com este nome como autor, saberão que o meu sonho se cumpriu. Até lá, somente outra mente criativa e alma apaixonada.

Olhar Mortal

Olhar Mortal
Livro "Olhar Mortal" por Raquel Neves: http://RaquelNeves.bubok.pt/