Ainda me pergunto como aconteceu. Que milagre torna um sentimento tão forte? Que feitiço faz aquelas palavrinhas mágicas escorregarem devagar pela curvatura dos meus lábios, num suave Amo-te? E as lágrimas que caem na perspectiva da distância, essa nostalgia que se acerca tão precoce, antecedendo uma mágoa que alguém decidiu chamar saudade.
Não sei as leis que regem o mundo, mas sei o teorema que condiciona os meus pensamentos nesta noite e em tantas passadas e tantas futuras. E ainda assim, segue uma lógica que nenhuma disciplina pode esquartejar até à célula mais pequena para compreender o que faz mover o quê. Não, esta lógica é tão ilógica mas tão certa e verdadeira, de resultados tão óbvios mas causas tão misteriosas. E o segredo é todo teu.
Talvez não queira saber, se tão forte é o desejo que prende as minhas mãos ao teu corpo, tão profunda é a necessidade de te sentir, as razões cavam fundo na minha alma, no meu coração, na minha mente, tão fundo que me perfuram e trespassam o meu mundo, dividindo-me entre a vontade urgente de unir a minha orbita à tua por cada segundo do meu ciclo de vida, e a certeza de que o universo o impossibilitará sempre, porque é essa a tarefa dele.
Não sei. Cada etapa desta história, como qualquer outra, começa por uma afirmação de cariz duvido. Como era uma vez. Porque não diz nada e não esclarece nada, começamos sempre afundados nesse mar de se's e porquês, medos e angústias, com dilemas que nos rasgam e não nos deixam dormir, para depois descobrirmos, passado o tempo lento da mudança nada diplomática que é feita sem autorização na nossa vida, que é tudo fácil e certo e talvez não haja felizes para sempre mas certamente há felizes por agora, e esse agora é longo e promissor. Sei-o quando está tudo certo na diferença e na igualdade.
Sei-o quando aquela palavra mágica se enrola na mente, e depois na língua, e tarda a vir, mas quando finalmente nos agracia com a sua sonoridade luminosa, ela vem revestida do poder imaculado da verdade pura e certa de um sincero AMO-TE.